Sábado. Cumprindo o 4º mandamento, fiquei em casa santificando o meu Shabat. Tá, na verdade eu fiquei para garantir que desta vez a faxineira não ia guardar os panos de prato na minha gaveta de cuecas. Tá, na verdade minha “gaveta de cuecas” é uma mochila da Company, mas não importa. O que importa é o Shabat.
Na esperança de ver justiça social sendo feita a cores, parei para assistir ao quadro “Pulsação”, no Caldeirão do Huck. Em um resumo rápido, Fulano Pobrinho decide quais as cinco respostas certas, dentre dez oferecidas, para uma questão qualquer. A cada rodada Fulano Pobrinho ganha prêmios que vão se acumulando até a pergunta final, de cinqüenta mil reais. Antes que você diga “porra, o Silvio Santos faz isso tem 300 anos!!!”, salientarei a peculiaridade da prova, que justifica seu nome: o tempo é definido pela freqüência cardíaca do sujeito. Quanto mais nervoso, mais rápido bate seu coração. Quanto mais rápido bate seu coração, menos tempo. Vil e cruel, não?
O garotinho de Niterói, filho de uma empregada doméstica e de um peixeiro, que se dizia muito estudioso, ganhou todos os prêmios, mais os cinqüenta mil. Vi o que queria. Mas ouvi o que não queria… Ao final da prova, diante da felicidade do moleque e de seus aspones, Sr. Angélica me manda a seguinte pérola: “Isso é para mostrar que o único jeito de se chegar lá é estudando!”
Obrigado, guru do nariz adunco! Agora eu tenho a receita e não vou errar! Vou estudar muito e tenho certeza de que logo estaremos lado a lado na Ilha de Caras, bebendo prosecco com suco de laranja, enquanto nossas mulheres, vestidas de branco, trocam informações sobre o último hidratante da Lancôme! E eu – Deus perdoe minha injustiça – que achava que o “único jeito de se chegar lá” era ter pai rico. Ou bunda grande. Foi um Shabat mais santificado do que eu esperava.